Seria a filosofia uma prática onde nossa forma de vida se torna objeto de disputa? O que é a filosofia, enquanto atividade que modifica o próprio corpo do agente implicado previamente em um movimento frente ao qual ele se reconhecia como mero espectador? Mais ainda: seria a verdade certa «experiência» de deslocamento do olhar que me permite descobrir que minha forma de vida é passível de conversão? O fato de Sócrates atestar nada saber revela algo sobre a natureza do conhecimento: a verdade não está nas palavras, o que importa são os efeitos que a verdade causa na forma como se vive. Partindo de uma leitura de Michel Foucault, tentaremos explorar a premissa: o socratismo talvez tenha a ver menos com o desejo da verdade do que com a verdade do desejo.