Este artigo tem por objetivo explorar as proximidades e distâncias entre História da loucura (1961) e A hermenêutica do sujeito (1982), obras que perfazem mais de vinte anos das pesquisas foucaultianas, a partir da maneira como Foucault lida com as figuras de «Descartes» e do «cartesianismo» nesses dois momentos cruciais de sua trajetória. Neste sentido, pretendemos perseguir a hipótese segundo a qual o «cartesianismo» cumpriria, em Foucault, a função de um objeto discursivo cujo manejo permitiria a demarcação de pontos de virada naquilo que se poderia chamar de uma história das relações do sujeito com a verdade.